A Expofacic teve a sua primeira edição em Setembro de 1991, correspondendo a uma aposta do então Presidente da Câmara, Dr. Albano Pais de Sousa, que na altura justificou a iniciativa pela “necessidade de abrir as portas aos produtores agrícolas, comerciantes e industriais do Concelho, para cumprir o objectivo pioneiro de transmitir para o exterior as potencialidades de Cantanhede.” Motivo de regozijo de todos os agentes económicos e da população em geral, o certame teve como coordenador-geral o Dr. Espírito Santo Lopes, Vereador com o Pelouro da Cultura na autarquia, e registou desde logo um assinalável sucesso.
A organização esteve a cargo de uma equipa formada por jovens quadros do Concelho, que recorreram a pavilhões alugados à Associação Comercial e Industrial de Coimbra (ACIC) e a apoios de um conjunto de entidades do Distrito. Segundo os relatos da imprensa da época, a primeira Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede mobilizou um significativo número de empresas e atraiu ao recinto envolvente à Escola Secundária cerca de 50 mil visitantes de todo o Concelho e de municípios limítrofes.
As edições de 1992 e 1993 foram já coordenadas pela Professora Edite Garrido, adjunta do Presidente da Câmara, e embora tenha mantido na essência a estrutura da Expofacic/91, sofreu algumas alterações relativamente a aspectos organizativos que vieram a revelar-se importantes para o seu crescimento e maior implantação. Além dos expositores representativos das actividades económicas, as associações e outras entidades do Concelho tiveram uma participação mais efectiva com a realização de manifestações culturais de diferente cariz, que juntamente com o programa de espectáculos constituíram elementos de atracção decisivos para o êxito do evento.
Ao terminar a sua experiência de dois anos à frente da organização, a Professora Edite Garrido referia que ”a Expofacic é um teste à capacidade empresarial dos nossos comerciantes e industriais, a quem cabe a tarefa de a valorizar”, mas alertava já para ”a necessidade de a Câmara Municipal adquirir os seus próprios pavilhões e de fazer coincidir a exposição com as Festas do Concelho.”
Em 1994 iniciou-se o ciclo das quatro edições levadas a cabo pelo executivo camarário liderado pelo Dr. Rui Crisóstomo, para quem, segundo opinião manifestada num dos editoriais do catálogo oficial da Expofacic, ”o conhecimento e valorização das potencialidades locais contribui de forma decisiva para a criação de uma imagem positiva da região e para o reforço da identidade colectiva.” De 1994 a 1997, a Expofacic teve como presidente das sucessivas comissões executivas o Dr. Carlos Navega Moreira, Vereador que tinha a responsabilidade do Pelouro da Cultura. Durante esse período registou-se alguma evolução, o que não terá sido alheio ao facto de se ter alterado a data de Setembro para Julho/Agosto e a subsequente articulação com as Festas do Concelho ou à mudança do local de realização do recinto da Escola Secundária de Cantanhede para o Parque Expo-Desportivo de S. Mateus. Além disso, é muitas vezes destacado como factor decisivo para essa evolução o envolvimento da Associação Empresarial de Cantanhede, entretanto constituída, e da AD ELO (Associação de Desenvolvimento Local da Bairrada e Mondego), entidades que contribuíram para que a Expofacic tenha adquirido uma certa projecção na Região Centro.
Mas fazer o historial da Expofacic implica, inevitavelmente, recordar um evento que pode ser considerado seu precursor, designadamente a Feira/Exposição de S. Mateus, realizada entre 1965 e 1969 e que decorria no âmbito da Romaria de S. Mateus. Esta experiência pioneira não tinha, como se calcula, nem a dimensão nem a estrutura organizativa que hoje reconhecemos à Expofacic, mas representou um acontecimento de muito significado para o Concelho tendo atingido alguma expressão no contexto da região. Inaugurada a 18 de Setembro pelo Dr. João Silva Pereira, presidente da edilidade, a feira/exposição de 1965, realizada no recinto municipal do Campo da Feira, era dedicada sobretudo a fabricantes de utensílios para a agricultura, o que nessa altura correspondia ao interesse de uma população eminentemente agrícola.